impressões
Nos 350 km de test-drive, saindo de São Paulo e seguindo até o litoral norte do estado – ora por convidativas estradas sinuosas, ora atravessando pisos não muito bem cuidados –, foi possível concluir que a redução na oferta do SLK não será lá grande problema. Primeiro porque o lançamento entrega níveis de potência e equipamentos que justificam o preço superior em relação ao SLK 200. A diferença de R$ 47 mil é significativa, claro, mas talvez não seja tão grande para quem já chegou ao patamar financeiro de poder estacionar um roadster na garagem, o tipo de carro feito para divertir e atrair olhares (e provavelmente o segundo carro do proprietário).
Segundo porque a diferença de 102 cv em relação ao SLK 350, que no papel sugere algo substancialmente inferior, ganha outras dimensões na prática. O SLK 250 acelera e retoma velocidade quase tão deliciosamente quanto o modelo mais potente. O vigor a cada investida no acelerador, a estabilidade exemplar e o sedutor ronco do motor (especialmente nas trocas de marchas) não vão alegrar muito menos em relação ao modelo mais potente e caro. Segundo dados da Mercedes, o 250 vai do 0 aos 100 km/h em 6,6 segundos, enquanto o 350 faz o mesmo com 1 segundo a menos. No fim das contas, qual a importância de 1 segundo, quando não se está numa pista de corrida?
E o motor 1.8 turbo do SLK 250 ainda leva a evidente vantagem de beber menos. Durante o teste, o computador de bordo registrou 9 km/l de média – valor impensável se fosse o SLK 350 durante o teste.
Criticáveis são apenas o acionamento da capota rígida, que apesar de não exigir qualquer esforço só pode ser acionada com o carro parado; o posicionamento das alavancas de seta e do limpador de parabrisa (que ficam do mesmo lado e estão muito próximas entre si), e o modo como se troca de marchas na alavanca: ao invés de movimentar a alavanca para frente ou para trás, o motorista a desloca para a esquerda ou direita para diminuir e subir marchas. Porém, como são velhas tradições da Mercedes, é provável que os habituais clientes da marca já estejam acostumados.
O lançamento do SLK 250 prova que, indiscutivelmente, o consumidor foi o maior prejudicado com as novas regras impostas pelo governo brasileiro. Os preços subiram e, consequentemente, as opções emagreceram. Por outro lado, mostra também que as importadoras – recalculando aqui e enxugando ali – vão sobrevivendo até que suas possíveis fábricas no Brasil se tornem viáveis.
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